Radar Pepijus
Opinião
JOÃOZINHO, A ESCOLA, O SAMU E A AGULHA

Já lá se vão 50 anos. Eu mesmo, até os 12, 13, gostava mais mesmo era da merenda inesquecível preparada pela dona Valdete. Sagu com groselha, sopa de macarrão, pão francês com patê de sardinha coqueiro, carne moída... Um sonho. Joãozinho, não há dúvida, tem tudo pra ser um artista e não demora muito não. Pedigree vem do berço. Saca só a presepada que ele armou a semana passada. Maringá, norte do nosso rico Paraná. A mãe preparou o café, a mochila, o lanche e foi acordar o garotão. Oito anos, um espertalhão. Feito uma pedra fria ele não se movia não. Chacoalha daqui, empurra dali e nada. Meu Deus ! O menino morreu ! Correu para o celular. 192. Em cinco minutos a viatura do Samu encostou. Que maravilha este serviço ! Quantas vidas salvas ! Entrem, ele está ali, ali no quarto ! Todo aquele tropel e o rapagão nem tchum. Sentiram o pulso, arregalaram as búricas dos olhos do dormente, viraram ele de bruços, para lá e para cá. Tudo na mais perfeita ordem. Mais corado e vivo que os caboclos de plantão. Porém, teimoso feito o cão, não tugia, nem mugia não. Mudo e mouco. Rápido, temos de colher o sangue, peque a agulha ali ! O quê ? Injeção ? Tô fora ! Saltou assusssstadíssimo da cama o João. Tio, pega a minha bolsa, vamos embora, já estou atrasado pra segunda aula ! Roubou logo um beijo rápido na face da mãe. No caminho na ambulância, sem rodeios, disse aos salvadores que sonhava soltando pipas, estudando, não.
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