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UNIÃO É CONDENADA POR PRECONCEITO A MARINHEIRA TRANSEXUAL

A natureza, no despertar da vida, parece ter sido cruel com Maria. Por isso, talvez, ela muito sofria. De noite e de dia. Corpo de homem numa alma doce e feminina. Num tremendo esforço e somente como homem é que logrou ingressar na Marinha. Do meio para o fim da mocidade conseguiu firmar sua verdadeira identidade com muitas despesas e com o dinheiro que ela às vezes nem tinha. Alinhou as tranças dos lindos cabelos soltos e compridos, arrancou de vez de todos os documentos os estigmas do nome masculino e falso de onde vinha. Quis e agora podia ser ela. A pessoa, a mulher que ela era e sempre foi. Escancarar os lábios num sorriso largo, sem medo, sem dramas e sem traumas se arrumar na frente de um espelho. Alegria de viver. Exibir na estampa do uniforme da Marinha o nome de Maria. Mas a corporação não gostou. Veio o empecilho, a chacota, a humilhação e a zombaria. Sem remédio nem conserto, tudo foi parar no fórum federal e somente no fim do mês passado é que terminou a sua agonia. Nelson dos Santos, juiz da 1a. Turma do TRF3 com sede na avenida Paulista deu ganho de causa a menina. Não haverá mais a exigência abusiva, arbitrária e desumana do disfarce, da aparência. Foi o fim de uma tortura. E, por tanta humilhação, mais oitenta mil contos de indenização. Pouco, você não acha não ?
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