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JUSTIÇA ANULA PATERNIDADE SOCIOAFETIVA POR ESTELIONATO EMOCIONAL

A história é meio - meio não, bastante - cabeluda. Deve dar ainda muito pano pra manga. Rola lá pelas bandas de Brasília, mas podia ser noutro lugar. Se ajeita aí na poltrona, pois vou lhe contar. A mulher do velhinho estava mais para lá do que para cá. Acamada, bem doente, prestes a embarcar. O casal só tinha um filho e esse moço era incapaz, interditado. Creuza, de coração gentil, atenciosa como ninguém, cuidava dos três, já fazia um bom tempo. Era tão íntima, tão próxima que, por tanto afeto e a pedido deles pegou o marido, o cachorro, o passarinho na gaiola e foi com eles morar. Mala e cuia. Duas famílias agora era uma só. Os anos se passando, conversa vai, conversa vem, até que um dia o ancião, já nos seus oitentão, disse a ela que não tinha, mas queria o nome de um pai posto no assento do seu nascimento, na certidão. Não deu outra: a empregada não demorou muito, convenceu o patrão. Foram parar no cartório, falar com o tabelião. Quanta felicidade! Saíram de lá com o papel na mão. A certa altura, porém, a família vendo que o apego passava da conta, já era demais, o velho meio gagá, decidiu ir ao fórum e tudo aquilo anular. Vício de consentimento. Gratidão por serviço feito era afeto feito sangue que jorra do coração ? Fumacinha estranha no chaminé, dizia que não. Para os sucessores e o promotor, um cheiro de golpe no ar. Pelo sim pelo, pelo não, o juiz, vendo a situação mandou depressa rasgar a documentação. Paternidade por afinidade, por carinho, por entrega duradoura, Creuza já não tinha mais não. Semana passada o tribunal bateu o martelo na mesma direção. No meio desta estrada cheia de espinhos, o filho que pai não tinha, beirando os 90, com Deus foi morar. Junto de sua esposa amada, na eterna imensidão. Agora, decerto o STJ, o Supremo, no miolo desta intriga deve entrar. Alguma solução. Amor com amor se paga, tostão, por tostão, mas o quanto é, meu amigo, sinceramente, não sei não !
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